Sem saber, inscrevi-me num workshop “de moda” . Quando me apercebi, passei-me; no entanto, hoje posso dizer que foi uma das experiências mais marcantes e certamente importantes e decisivas na minha vida. Comercial, chato, sempre igual?! De todo! Foi essencialmente sobre o desenvolvimento de uma visão pessoal na fotografia e como conseguir mantê-la num mundo aparentemente tão comercial como a moda... ‘HOW TO NOT SELL OUT’. Nunca pensei que se pudesse aprender tanto numa semana! Só vos posso dizer que nem imaginam o que perderam por não se terem interessado em participar no campus da Photo España. Quem quiser e puder, devia mesmo tentar vir no próximo ano. Os professores convidados são sempre geniais (os dos outros workshops também eram óptimos. Vejam o trabalho da Jacqueline Hassink, brilhantemente construído, e do Guillaume Herbaut, que é tipo reportagem mas em bom – isto sou eu a deitar a língua de fora aos futuros fotojornalistas...).
Voltando ao mais importante, para além do que se aprende com a pressão de ter de criar e executar projectos do nada, longe de casa e sem recursos (nem modelos havia), de um dia para o outro (literalmente), foi importantíssima a componente teórica que foi dada sobre dezenas de fotógrafos com trabalhos tão distintos (e fabulosos... nunca pensei vir a dizer isto sobre ‘fotógrafos de moda’!!!), sobre os diferentes tipos de publicações, produtores, agências, e acima de tudo, como chegar até eles. Basicamente, segundo a Jamie, ela tentou ensinar-nos tudo aquilo que gostava de ter sabido quando terminou o curso de Artes Plásticas na Parsons e começou a entrar no mundo da moda (algo que nunca havia planeado), mas infelizmente ninguém lhe disse.
Também foi explorada a componente de edição e crítica de imagem, já que os trabalhos que fazíamos eram projectados e comentados todos os dias durante a aula, o que é, obviamente, inestimável. Não é todos os dias que se encontra um fotógrafo/artista de topo que tenha pachorra para ver o nosso trabalho e tentar orientar-nos.
Posso garantir que esta experiência foi tão produtiva, que se pudesse, ficava aqui pelo menos mais um mês a aprender com a Jamie Isaia. Se alguém quiser ver trabalho dela acho que o pode encontrar no site da agência Art and Commerce:
www.artandcommerce.com.
Antes que me esqueça como ‘bónus’, para além das aulas com a Jamie (ou outro professor convidado) e das apresentações com fotógrafos que decorriam todas as noites, ofereceram a todos os alunos dos workshops um seminário com o fotógrafo Hugo Rodriguez, no qual aprendemos basicamente a calibrar monitores e a processar ficheiros raw. Enfim, trabalhou-se de manhã, à tarde e à noite, mas valeu cada hora não dormida!
Mudando de assunto, se puderem pelo menos vão a Madrid ver algumas das exposições que estão a decorrer. Sugiro a do Thomas Demand, na Fundación Telefonica, a do Bill Brandt, no edifício AZCA, a da Roni Horn, na Sala Picasso do Círculo de Bellas-Artes, a do David Claerbout na Sala Minerva também do Círculo de Bellas-Artes e a colectiva “De viaje”, no Instituto Cervantes. As moradas estão todas no site do festival (essas e outras, claro, de exposições que suspeito serem tão boas como as que vos estou a sugerir... infelizmente só tive um dia para me dedicar à vertente das exposições e amanhã já volto para Lisboa... snif). Não se esqueçam de ir ver “Utopía” no CCB. Eu ainda não fui mas consta que é muito boa.
Só mais um pormenor, o facto de se participar num workshop dá 10% de desconto na compra de livros que sejam publicações oficiais da Photo España que se encontrem à venda nos stands PHE. Vai ser o meu próximo objectivo na ida de amanhã a Madrid, antes do regresso.
Este pequeno testamento foi só uma tentativa de vos abrir o apetite para o próximo ano. Espero que queiram vir, vale bem aquilo que se paga!
Vou andando... espero que os vossos estágios estejam a ser bons; o meu, não o estou propriamente a adorar, mas é a vida.
PS: João delegado de turma, já combinavas qualquer coisa para as pessoas se encontrarem. Já agora, alguém tem notícias do Miguel? Espero que já esteja melhor.